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53- O não uso de estátuas na Raiz de Guiné
53- O não uso de estátuas na Raiz de Guiné

O não uso de estátuas na Raiz de Guiné

 

Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2018

 

Permitam-me os irmãos fazer algumas considerações sobre o não uso de imagens (sobretudo aquelas moldadas como estátuas no gesso) na Raiz de Guiné, todavia, de modo algum com o intuito de polemizar ou desconsiderar outras crenças e práticas dentro do movimento umbandista. 

Antes de tudo, acredito que nessa questão sobre o uso de imagens, não cabe de modo algum apontar o dedo e dizer que quem usa imagens no seu terreiro está errado, devendo ser assim essa prática censurada. Esse tipo de postura elitista não cabe, creio, ao umbandista que com sinceridade busca seguir o caminho do Cristo. É evidente que cada um irá situar sua prática umbandista segundo suas afinidades, de modo que o uso de imagens ou não no terreiro, acredito, não poderá por si só, qualificar quem está melhor assistido pelo Astral e quem não está...

 

Por exemplo, no caso da Tenda Estrela do Mar dirigida no passado pelo Capitão Benedito Lauro do Nascimento em Irajá, temos que, ainda que o saudoso Lauro tenha sido inciado na Raiz de Guiné e nela coroado na Lei por Pai Guiné, ele usou até o fim de sua vida o congá ocupado por várias imagens, além de mesclar em seus rituais elementos da Umbanda mais popularizados com aqueles preconizados na Umbanda Esotérica. Algum problema nisso? Acredito que não, pois minha família fez parte da corrente do velho Lauro e mesmo ele não sendo médium de incorporação, era, diziam, um médium de irradiação intuitiva excepcional, com grande penetração astral-mediúnica e sua gira era forte e bem firmada.

Mas, qual é a questão aqui? No que tange especificamente à escola da Raiz de Guiné, esta possui uma doutrina, uma postura de encaminhamento em seus rituais que, assim como dito pelo próprio Matta e Silva, seleciona para si, certos valores e concepções que por seu turno, se objetivam nas suas práticas rito-litúrgicas. 

 

Ou seja, da mesma forma que de um lado, por afinidades, se usa imagens no terreiro de Umbanda, por outro lado na Raiz de Guiné, também por afinidade não se usa e, é por demais claro que todas as modalidades de escolas e agrupamentos no movimento umbandista são assistidos com igualdade espiritual em suas desigualdades humanas pelo mesmo Astral Superior, pela mesma Lei de Umbanda, pois a Lei como se sabe é como as águas do mar; as praias são as mais variadas e distintas possíveis, mas a água oceânica é a mesma água salgada para todas as praias do globo...então, acredito que aqui não se trate de se separar o “preto do branco” e dizer quem está certo e quem está errado, pois cada qual, segue o seu caminho dentro de suas afinidades e possibilidades, no contexto de sua realidade e consciência.

Contudo, frisamos novamente: a escola da Raiz de Guiné adota para si uma identidade ou uma organização rito-litúrgica onde as imagens não entram no congá, não entram na chamada casa das almas, não entram na tronqueira e também não entram em rituais magísticos de um modo bem geral (ficando na exceção da regra dita e feita por Pai Guiné). 

Isso, não é de modo algum uma concepção tão somente ou unilateralmente nossa, ao contrário, são referências dadas pelos antigos mestres feitos pelo Matta, quais sejam; Jairo, Mario Tomar e Ivan H. Costa, que relataram que de fato o primeiro congá do velho Matta tinha imagens num primeiro momento, mas que pouco a pouco foram sendo retiradas até, conforme relatou Ivan H. Costa, o Caboclo Juremá orientar a materialização do congá na antiga T.U.O com a meia lua como ficou conhecido atualmente.

 

Outro exemplo, foi a orientação do Matta no terreiro do Caboclo Morumbi, onde fora procedida a orientação para que se retirassem as imagens do terreiro.

 

Em síntese, colocamos toda essa questão no intuito de situar dois pontos importantes na Raiz de Guiné:

- a de que, como dito, o velho Matta tinha um posicionamento claro com relação ao uso de estátuas na Umbanda Esotérica, de modo que, orientava para aqueles que se colocavam sob sua cobertura no santé inciaciático da Raiz, que em seus terreiros elas fossem retiradas;

- mas, por outro lado, fica claro também, acredito, que cabia ao iniciado decidir se ia seguir ou não essa orientação. Vide o caso do Capitão Benedito Lauro do Nascimento na Tenda Estrela do Mar, no qual justamente fora citado, a fim de deixar um exemplo consistente sobre esse encaminhamento aberto que era feito pelo Matta na orientação de seus iniciados.

Acredito, então, que deva-se atentar no fim de tudo para o seguinte panorama:

 

Uma coisa é o juízo de valor que o indivíduo pode naturalmente fazer no sentido de que, ainda que sendo iniciado na Raiz de Guiné, ele passa a não concordar com a leitura do Matta e de fato decide usar imagens no seu congá. 

Então, a seguinte questão está clara aqui: se o próprio Matta e Silva deu essa abertura no passado, quem somos nós para dizer o contrário...

 

Mas, por outro lado, existe o juízo de fato, isto é, em verdade estabelecido pelo velho Matta de que a orientação era: a de não se usar estátuas na rito-liturgia da Umbanda Esotérica em suas dependências materiais .

Portanto, não estamos aqui dizendo quem é mais e quem é menos iniciado por usar ou não estátuas, pois isto está na Balança de São Miguel e sim chamando a atenção para os fatos que se relacionam com toda essa questão segundo à perspectiva e orientação dada pelo próprio Matta e Silva.

Me desculpem qualquer mal entendido, mas como já dito, além de existir mestres de iniciação e demais iniciados e também áudios que comprovam tudo isso, a primeira vez que coloquei roupa na Umbanda foi aos 13 anos numa gira comandada por Mario Tomar em minha casa, e desde sempre essa questão (e outros assuntos mais..) de não se usar estátuas na Umbanda Esotérica era colocada dessa forma, segundo o encaminhamento preconizado de fato e de direito pelo velho Matta nas areias de Itacuruça.

 

Santa Paz

 

Tarso Bastos